domingo, 20 de março de 2011

Jantar gourmet na super lua... e outras peripécias de Victor

Ontem estava inspirado. Acho que foi por causa da super lua.




Resolvi fazer um jantar gourmet para minha esposinha para comemorar o lançamento do seu curso, e agora deixo aqui o resultado e o cardápio:

Preparei um filé tunisiano acompanhado de uma salada de pêssegos grelhados. Vejam como ficou:

O vinho foi um Santa Helena, Chileno, cabernet merlot, bem encorpado e com um aroma maravilhoso. O filé foi comprado no sul da Bahia. Corte de carne no interior é mais gostoso. Eles escolhem sempre um especial para você, se você conhece a pessoa certa. No final, a carne estava quase derretendo na boca!

Eis como preparei a carne:

- Corta-se tiras grande e de altura média. Fiz pequenos cortes longitudinais para que o molho entrasse melhor.
- Depois, marina-se na manteiga por uns 5 minutinhos, apenas para dar cor, porque a idéia é que a carne fique cozinhando entre 1 e 1 hora e meia.
- Nesse ponto os ingredientes são os básicos para o preparo de um carne: cebola, tomate, pimentão e extrato de tomate. Pica-se a cebola, o tomate e o pimentão e coloca-se na panela junto com o extrato de tomate e um pouco de água.
- Espera-se de 15 a 20 minutos para os aromas penetrarem na carne, e depois disso acrescenta-se uma colher de café solúvel. É fechar a tampa da panela e esperar 30 minutos até o café penetrar bastante, colocando de vez em quando um pouco de água se for necessário
- Depois de 30 minutos do café, coloca-se uns 2 ou 3 paus de canela, e fecha-se a panela por mais 20 ou 30 minutos.

Pronto, depois disso coloca-se numa travessa e serve-se. O resultado está abaixo:


O resultado é uma carne com um leve aroma de café e canela e um filé macio que quase derrete na boca. Agora, uma dica: não tirem o pau-de-canela da travessa para colocar no prato, esperando que vá impregnar mais na carne. Quando colocado na boca, ele torna o paladar muito acre e não é bom!

Agora, a salada. Peguei a receita com o grande gúru da gastronomia, James Oliver, em http://www.jamieoliver.com/recipes/beef-recipes/grilled-peach-salad-with-bresaola. Fiz algumas adaptações para a culinária brasileira, como por exemplo: retirei o tomilho e coloquei o manjericão. Ficou simplesmente divino. Basicamente, o que eu fiz foi:

- Grelhar os pêssegos numa grelha elétrica que tenho, depois de ter colocado num vazilha o manjericão, azeite de oliva e pimenta a gosto. Podem colocar uma porção generosa de azeite de oliva. Na grelha pode ir um pouco de manjericão. E espera-se que os pêssegos fiquem iguais aos da foto
- Depois disso, é acrescentar azeite balsâmico e 3x mais azeite de oliva que o balsâmico colocado e mais iogurte natural (um copo de 200 ml)
- Quando os pêssegos tiverem prontos, basicamente acrescentamo-os na vazilha com o molho e servimos tudo num prato, em cima do presunto de parma.

Eis o resultado final da salada:


E, finalmente, no prato ficou assim:


Os ingredientes para a carne são:

- Cebola, tomate e pimentão
- Café solúvel
- Pau-de-canela

Para a salada, são:

- Pêssegos maduros
- Mussarela de búfala (adaptação minha)
- Manjericão
- Azeite balsâmico
- Aceite de oliva
- Iogurte natural
- Presunto de parma

P.S. Enquanto estava escrevendo esse post, percebi que o Victor estava "deveras" quieto. O que será que ele está fazendo? - pensei eu. Eis o resultado:

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Desfralde - continuação

Victor começou o desfralde bem! Acho que estamos sendo bem tranquilos nesse processo dele... Imaginem que outro dia o gajo pediu para fazer xixi no "penicão" (detalhe compramos um redutor de vaso sanitário). Prontamente, ele:

- Papai, pega o livro do Vítor (é o nome do personagem do livro e não ele próprio)
(Papai, pega o livro do Vítor)
- Agora, Victor vai fazer cocô.
- Papai: já acabou, filho?
- Victor: Tem mais. Pega mais livro.

E vejam a figurinha, fazendo isso:

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ser doutor

Engraçado como um título pode alterar tanto o psicológico de um ambiente. Obviamente, obter o tal título não é uma tarefa fácil... Temos que demonstrar "expertise" em uma determinada área e consequentemente, viramos literalmente incompetentes em todas as outras.

Acho que de uma forma ou de outra, o doutorado nos ensina a pensar. Pensar um pouco mais sem preconceitos... Ou melhor, isso seria o ideal. Acho também que o EGO infla mais. É interessante perceber como os doutores não podem mais passar a imagem que não sabem alguma coisa. O pior é que tem gente que até passa a ser doutor de qualquer coisa!

Há um lado ruim das coisas: quando questionamentos qualquer coisa para as pessoas próximas, viramos os "doutores" cheios de pompas. Como se não fossemos antes de tudo humanos em busca de respostas.

Acho também que doutor é igual a faixa preta recém graduado. Havia apenas poucos dias de separação entre o faixa marrom e o preta que nos tornamos. Isso implica em pouca maturidade em lidar com o poder que temos nas mãos; para algumas pessoas, significa esconder seus complexos embaixo de uma máscara bem maqueada por um título; mas acima de tudo, significa que temos uma longa jornada pela frente. E como um faixa preta, precisamos principalmente a aprender a não usar a técnica para bater em menos graduados. A sermos mais tolerantes e uma coisa que só aprenderemos com o tempo: aprendermos a tomar decisões mais sábias. Sábias principalmente no que se refere a convivência entre as pessoas que estão no mesmo nível ou acima: infelizmente, o título não garante que a pessoa resolveu suas questões psicológicas, muito pelo contrário, muitas vezes o que acontece é que o título foi apenas usado para fugir de questões interiores importantes.

Enfim, não creio que "Ser doutor" seja tarefa fácil, mas o importante mesmo é ter em mente que humildade é também uma questão complexa; então, vale mais a pena ser cauteloso com as opiniões alheias...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A garrafa

Papai esqueceu, no carro, a garrafa que Victor (1 ano e 11 meses) toma leite todas as noites. Papai dá um copo para Victor tomar leite e explica para ele que a garrafa ficou no carro.

No dia seguinte, Victor vê a garrafa de novo na hora de fazer o leite para dormir:

Victor: "Papai achou a garrafa!"
Papai: "Papai achou, sim, filho!"
Victor: "Papai é sabido..."

Fiquei pensando: o sabido sou eu ou ele?

domingo, 8 de agosto de 2010

Ser pai no século XXI

Ser pai no século passado era ser provedor. De maneira geral, não havia o compromisso de compreender os anseios dos filhos, de guiá-los conforme uma filosofia maior de vida! Não que os nossos pais não tivessem sido carinhosos, ou presentes, ou mesmo compreensívos com nossos erros, mas era diferente...

Sou pai. Mais que isso, sou pai nesse século, apesar de ter me criado no século passado. Apesar de não poder fazer o que minha esposa faz (bem que queria amamentar, e se fosse possível até mesmo cuidar de nosso bambino ao longo do dia), sempre quero estar presente em todos os momentos de seu desenvolvimento. Vê-lo dar os primeiros passos, falar as primeiras palavras, e mais que isso: passar uma filosofia de vida maior, criar um ser profundo que PENSE os pequenos detalhes e idiossincrasias de sua vida e do meio que viverá. E o mais interessante disso tudo, não estou sozinho. Cada vez mais vejo amigos também tentando ser pai dessa forma: não apenas provendo o sustento maior da casa (mesmo porque, ser provedor sozinho nem entra na equação do nosso século...), mas fazendo parte, se possível até sendo um pouco mãe no que for possível. Infelizmente, o efeito colateral é termos ciúmes das nossas esposas (acho que Freud não previa isso!!), mas isso me enche de orgulho, pois vejo pais diferentes, onde se preocupam em educar seus filhos e não deixar essa responsabilidade exclusivamente com as escolas. Pais que querem que seus filhos sejam éticos no sentido mais largo da palavra.

E, hoje, dia dos pais no Brasil, vejo que nosso planeta parece ter enfim um delineação de um futuro melhor, com uma geração mais preocupada com questões além da sobrevivência e da díade viver-morrer. Preocupada com o SER e não com o TER.

Ninguém é imbatível, mas por que não tentar fazer o melhor!?

Estava ansioso para ver a defesa do cinturão dos médios por Anderson Silva. O desafiante foi o estadunidense Chael Sonnen. No período de promoção da luta, o Chael falou bastante. Estava defendendo a hipótese de que ele era melhor que o Anderson, apesar de considerar que o último era um lutador fantástico! Ninguém parecia acreditar muito nisso...

Um parêntese: na última defesa de cinturação, contra o Damian Maia (apesar do nome, o sujeito é brasileiro, mesmo), o Anderson Silva foi bastante criticado por uma atitude anti-desportiva no ringue, onde assumiu uma postura de chacota contra o adversário. Naquela luta, o Anderson poderia ter nocauteado o Damian, mas não sei bem porquê venceu apenas por pontos e terminou ileso. Fecha parênteses!

Na madrugada desse sábado, comecei a assistir as lutas, esperando o grande momento! Particularmente, as lutas preliminares foram todas muito chatas, com exceção da luta do John Fitch, que apesar de nunca ter o visto lutar, realmente me impressionou com sua técnica e tática.

Enfim, começa a grande luta. Defesas de cinturão são disputadas em 5 rounds, em contraposição aquelas lutas normais que só possuem 3 rounds. E os dois lutadores entram na arena. Primeiro o desafiante e depois o grande Da Silva. Este entra sem mesmo olhar para o adversário, com uma postura de total desprezo. O Sonnen? Sempre de cabeça baixa... Começam a lutar. E, depois das críticas, todos esperam um Da Silva mais contundente, mostrando o porquê de estar defendendo seu cinturão desde agosto de 2006. Primeiro ataque e Sonnen mostra-se mais equlibrado, recua e leva o Da Silva para o chão. Ninguém acreditava naquilo. Vimos um Da Silva totalmente inerte, apenas se defendendo. Apesar de apanhar bastante, nenhum corte, diferentemente do Sonnen, que já tinha o rosto bastante ensanguentado! E acaba o round 1, com uma contagem de 10/8 ou 10/9 feita pelos comentaristas do SporTV. Começa o segundo round, e todos esperam uma reação, mas tudo segue como "d'antes no quartel de Abrantes": 10/9 para Sonnen.

Bom, só tinha mais o terceiro round para o Anderson dar a volta por cima, pois caso contrário só continuaria com o título por K.O. ou submissão. E não deu outra: Anderson perdeu mais uma vez! Da mesmíssima forma que os outros rounds. Pronto: só havia agora a possibilidade de finalização ou o cinturão estaria nas mãos do americano! Round 4 e o impossível aparecia na frente dos olhos de milhões de telespectadores: Anderson escorrega sozinho e cai! Era a derrota final, o maior campeão de todos os tempos estava acabado, humilhado, derrotado por sua própria arrogância na última luta, onde pisou seu adversário mais com uma atitude de déspota do que de um grande lutador! E os minutos se passavam e só víamos o Anderson submisso, se defendendo bastante dos golpes certeiros de Sonnen. Era o fim!

Round 5: Continua tudo como nos outros rounds. Esperem, o que foi isso? Uma batida (tap out)? Anderson estava agora com parte do braço e cabeça do Sonnen entre as pernas e Sonnen batia 3 vezes levemente na perna do Anderson para que parasse. O pior foi que depois que o juiz viu o que aconteceu, numa atitude de extrema anti-desportividade, o Sonnen queria continuar a luta, tentando transparecer que não tinha batido...

Não acreditava no que se tinha delineado faltando 2 minutos para o término do round 5: Anderson havia vencido com submissão, e provado que era o maior lutador de MMA de todos os tempos. Nas palavras finais, em meio a uma ensurdecedora vaia geral do publico da Califórnia, Anderson explicava que tinha lutado com uma costela quebrada nos treinos. Ele havia vencido a si mesmo, sua arrogância, sua prepotência e mais que isso sua própria inflação egóica! E deixou uma lição: ninguém é imbatível, mas precisamos nos momentos mais difíceis de uma dose de humildade e superação para tentarmos pelo menos fazer o melhor...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Pai, dono de casa e, agora, ... Doutor!

Foram 3 anos e 4 meses de intenso trabalho... As conquistas? 2 prêmios acadêmicos, 2 publicações em revistas internacionais de alto impacto, 5 conferências internacionais e 1 capítulo de livro. O resultado final, aprovado com louvor e distinção por unanimidade.

Pensando bem agora, a única mudança em mim que percebo depois de tudo é que comecei a dar mais importância aos pequenos momentos em família. No meio do meu doutorado, meu filho nasceu, e nos encheu de alegrias. Minha esposa defendeu o mestrado, e fiquei super orgulhoso. Acho que todas essas experiências ensinaram-me a ver o que importa na vida, os momentos felizes com quem você ama...

Viver no exterior não é fácil, não temos a segurança de viver em nosso país, nem as facilidades do apoio da primeira família como suporte! Temos que nos virar. Fazer tarefas de casa, dividir as tarefas de casa... E ficava sempre com o arrumar a casa, lavar o banheiro, etc. Lavar o banheiro me ensinou muitas coisas: ter que fazer uma tarefa reconhecidamente chata e suja, pensar sobre as minhas próprias inseguranças, lidar com minha raiva sobre o que estava acontecendo ao meu redor... enfim, ensinou-me a ser um pouco mais humilde!

Obter um título de Ph.D. não é fácil, ainda mais numa Universidade conceituada. Mas trabalhar a humildade depois disso, é quaser sempre muito difícil. Um membro do júri perguntou-me porque muitos títulos das minhas publicações começavam por "On..." ou por "Toward...". "É sinal de humildade ou insegurança?" ele perguntou. Respondi que a tentativa de ambos: "Humildade sempre temos que ter, e segurança, quase nunca temos, no meio acadêmico". Não sei se posso me considerar uma pessoa humilde, mas com certeza pretendo ser um dia, e foi lavando o banheiro e varrendo a casa que aprendi a dar valor as minhas conquistas e sempre valorizar e olhar nos olhos aqueles profissionais da Universidade que quase sempre só sentimos falta quando entram em greve... os profissionais da limpeza! Dar "bom dia", olhando nos olhos dele, pode fazer uma grande diferença em suas vidas!

Enfim, terminei meu processo! E aprendi bem mais que o meu doutoramento propôs, aprendi (e estou aprendendo) a ver que títulos não definem ninguém. As pessoas são definidas pelo que está em seus corações, pelo caráter! Aprendi um pouco a ser pai, a ser dono de casa... Quanto a ser doutor!? Creio que minha jornada apenas começou...