Estava ansioso para ver a defesa do cinturão dos médios por Anderson Silva. O desafiante foi o estadunidense Chael Sonnen. No período de promoção da luta, o Chael falou bastante. Estava defendendo a hipótese de que ele era melhor que o Anderson, apesar de considerar que o último era um lutador fantástico! Ninguém parecia acreditar muito nisso...
Um parêntese: na última defesa de cinturação, contra o Damian Maia (apesar do nome, o sujeito é brasileiro, mesmo), o Anderson Silva foi bastante criticado por uma atitude anti-desportiva no ringue, onde assumiu uma postura de chacota contra o adversário. Naquela luta, o Anderson poderia ter nocauteado o Damian, mas não sei bem porquê venceu apenas por pontos e terminou ileso. Fecha parênteses!
Na madrugada desse sábado, comecei a assistir as lutas, esperando o grande momento! Particularmente, as lutas preliminares foram todas muito chatas, com exceção da luta do John Fitch, que apesar de nunca ter o visto lutar, realmente me impressionou com sua técnica e tática.
Enfim, começa a grande luta. Defesas de cinturão são disputadas em 5 rounds, em contraposição aquelas lutas normais que só possuem 3 rounds. E os dois lutadores entram na arena. Primeiro o desafiante e depois o grande Da Silva. Este entra sem mesmo olhar para o adversário, com uma postura de total desprezo. O Sonnen? Sempre de cabeça baixa... Começam a lutar. E, depois das críticas, todos esperam um Da Silva mais contundente, mostrando o porquê de estar defendendo seu cinturão desde agosto de 2006. Primeiro ataque e Sonnen mostra-se mais equlibrado, recua e leva o Da Silva para o chão. Ninguém acreditava naquilo. Vimos um Da Silva totalmente inerte, apenas se defendendo. Apesar de apanhar bastante, nenhum corte, diferentemente do Sonnen, que já tinha o rosto bastante ensanguentado! E acaba o round 1, com uma contagem de 10/8 ou 10/9 feita pelos comentaristas do SporTV. Começa o segundo round, e todos esperam uma reação, mas tudo segue como "d'antes no quartel de Abrantes": 10/9 para Sonnen.
Bom, só tinha mais o terceiro round para o Anderson dar a volta por cima, pois caso contrário só continuaria com o título por K.O. ou submissão. E não deu outra: Anderson perdeu mais uma vez! Da mesmíssima forma que os outros rounds. Pronto: só havia agora a possibilidade de finalização ou o cinturão estaria nas mãos do americano! Round 4 e o impossível aparecia na frente dos olhos de milhões de telespectadores: Anderson escorrega sozinho e cai! Era a derrota final, o maior campeão de todos os tempos estava acabado, humilhado, derrotado por sua própria arrogância na última luta, onde pisou seu adversário mais com uma atitude de déspota do que de um grande lutador! E os minutos se passavam e só víamos o Anderson submisso, se defendendo bastante dos golpes certeiros de Sonnen. Era o fim!
Round 5: Continua tudo como nos outros rounds. Esperem, o que foi isso? Uma batida (tap out)? Anderson estava agora com parte do braço e cabeça do Sonnen entre as pernas e Sonnen batia 3 vezes levemente na perna do Anderson para que parasse. O pior foi que depois que o juiz viu o que aconteceu, numa atitude de extrema anti-desportividade, o Sonnen queria continuar a luta, tentando transparecer que não tinha batido...
Não acreditava no que se tinha delineado faltando 2 minutos para o término do round 5: Anderson havia vencido com submissão, e provado que era o maior lutador de MMA de todos os tempos. Nas palavras finais, em meio a uma ensurdecedora vaia geral do publico da Califórnia, Anderson explicava que tinha lutado com uma costela quebrada nos treinos. Ele havia vencido a si mesmo, sua arrogância, sua prepotência e mais que isso sua própria inflação egóica! E deixou uma lição: ninguém é imbatível, mas precisamos nos momentos mais difíceis de uma dose de humildade e superação para tentarmos pelo menos fazer o melhor...
Filosofia é a arte do pensamento. Do abstrato ao concreto, do intangível ao tangível, do sem sentido às entrelinhas, tudo passa por nossos pensamentos e a expressão dessas idéias talvez seja o mais difícil para nós! Aqui, vou tentar expressar idéias que muitas vezes ficam apenas em minha cabeça e quase sempre estão além das (atitudes, ações, justificativas e idéias) ideais!
domingo, 8 de agosto de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
Pai, dono de casa e, agora, ... Doutor!
Foram 3 anos e 4 meses de intenso trabalho... As conquistas? 2 prêmios acadêmicos, 2 publicações em revistas internacionais de alto impacto, 5 conferências internacionais e 1 capítulo de livro. O resultado final, aprovado com louvor e distinção por unanimidade.
Pensando bem agora, a única mudança em mim que percebo depois de tudo é que comecei a dar mais importância aos pequenos momentos em família. No meio do meu doutorado, meu filho nasceu, e nos encheu de alegrias. Minha esposa defendeu o mestrado, e fiquei super orgulhoso. Acho que todas essas experiências ensinaram-me a ver o que importa na vida, os momentos felizes com quem você ama...
Viver no exterior não é fácil, não temos a segurança de viver em nosso país, nem as facilidades do apoio da primeira família como suporte! Temos que nos virar. Fazer tarefas de casa, dividir as tarefas de casa... E ficava sempre com o arrumar a casa, lavar o banheiro, etc. Lavar o banheiro me ensinou muitas coisas: ter que fazer uma tarefa reconhecidamente chata e suja, pensar sobre as minhas próprias inseguranças, lidar com minha raiva sobre o que estava acontecendo ao meu redor... enfim, ensinou-me a ser um pouco mais humilde!
Obter um título de Ph.D. não é fácil, ainda mais numa Universidade conceituada. Mas trabalhar a humildade depois disso, é quaser sempre muito difícil. Um membro do júri perguntou-me porque muitos títulos das minhas publicações começavam por "On..." ou por "Toward...". "É sinal de humildade ou insegurança?" ele perguntou. Respondi que a tentativa de ambos: "Humildade sempre temos que ter, e segurança, quase nunca temos, no meio acadêmico". Não sei se posso me considerar uma pessoa humilde, mas com certeza pretendo ser um dia, e foi lavando o banheiro e varrendo a casa que aprendi a dar valor as minhas conquistas e sempre valorizar e olhar nos olhos aqueles profissionais da Universidade que quase sempre só sentimos falta quando entram em greve... os profissionais da limpeza! Dar "bom dia", olhando nos olhos dele, pode fazer uma grande diferença em suas vidas!
Enfim, terminei meu processo! E aprendi bem mais que o meu doutoramento propôs, aprendi (e estou aprendendo) a ver que títulos não definem ninguém. As pessoas são definidas pelo que está em seus corações, pelo caráter! Aprendi um pouco a ser pai, a ser dono de casa... Quanto a ser doutor!? Creio que minha jornada apenas começou...
Pensando bem agora, a única mudança em mim que percebo depois de tudo é que comecei a dar mais importância aos pequenos momentos em família. No meio do meu doutorado, meu filho nasceu, e nos encheu de alegrias. Minha esposa defendeu o mestrado, e fiquei super orgulhoso. Acho que todas essas experiências ensinaram-me a ver o que importa na vida, os momentos felizes com quem você ama...
Viver no exterior não é fácil, não temos a segurança de viver em nosso país, nem as facilidades do apoio da primeira família como suporte! Temos que nos virar. Fazer tarefas de casa, dividir as tarefas de casa... E ficava sempre com o arrumar a casa, lavar o banheiro, etc. Lavar o banheiro me ensinou muitas coisas: ter que fazer uma tarefa reconhecidamente chata e suja, pensar sobre as minhas próprias inseguranças, lidar com minha raiva sobre o que estava acontecendo ao meu redor... enfim, ensinou-me a ser um pouco mais humilde!
Obter um título de Ph.D. não é fácil, ainda mais numa Universidade conceituada. Mas trabalhar a humildade depois disso, é quaser sempre muito difícil. Um membro do júri perguntou-me porque muitos títulos das minhas publicações começavam por "On..." ou por "Toward...". "É sinal de humildade ou insegurança?" ele perguntou. Respondi que a tentativa de ambos: "Humildade sempre temos que ter, e segurança, quase nunca temos, no meio acadêmico". Não sei se posso me considerar uma pessoa humilde, mas com certeza pretendo ser um dia, e foi lavando o banheiro e varrendo a casa que aprendi a dar valor as minhas conquistas e sempre valorizar e olhar nos olhos aqueles profissionais da Universidade que quase sempre só sentimos falta quando entram em greve... os profissionais da limpeza! Dar "bom dia", olhando nos olhos dele, pode fazer uma grande diferença em suas vidas!
Enfim, terminei meu processo! E aprendi bem mais que o meu doutoramento propôs, aprendi (e estou aprendendo) a ver que títulos não definem ninguém. As pessoas são definidas pelo que está em seus corações, pelo caráter! Aprendi um pouco a ser pai, a ser dono de casa... Quanto a ser doutor!? Creio que minha jornada apenas começou...
quarta-feira, 3 de março de 2010
Nas entrelinhas
O que mais gosto das crianças é a sinceridade! Elas não pensam muito para dizer o que pensam. À medida que crescem aprendem que não podem e não devem dizer a verdade, sob pena de problemas sociais. Sim, sociais, pois ninguém consegue falar a verdade na lata, sem ter uma consequência na sociedade em que vivemos.
E assim, começamos a perceber que em quase todo o discurso de um adulto há um outro discurso entre as linhas. Quando alguns dizem branco, querem na realidade dizer azul, quando uns dizem amo, querem dizer na realidade odeio... e assim por diante!
O problema todo é entendermos algumas entrelinhas até sentirmo-nos ofendidos e indignados com certos comentários! O grande ponto da questão é portanto saber que sempre há discursos nas entrelinhas, ou, quem sabe?, antes e depois das linhas...
E assim, começamos a perceber que em quase todo o discurso de um adulto há um outro discurso entre as linhas. Quando alguns dizem branco, querem na realidade dizer azul, quando uns dizem amo, querem dizer na realidade odeio... e assim por diante!
O problema todo é entendermos algumas entrelinhas até sentirmo-nos ofendidos e indignados com certos comentários! O grande ponto da questão é portanto saber que sempre há discursos nas entrelinhas, ou, quem sabe?, antes e depois das linhas...
sábado, 2 de janeiro de 2010
Uma pitada de palpite, por favor!
Imaginemos a seguinte situação: 20 pessoas da mesma família tentando decidir aonde jantar! A princípio, isto parece algo simples. Mas, na verdade, sabemos que quase sempre esta é uma tarefa inglória, principalmente quando essas 20 pessoas costumam conviver pessoalmente!
É engraçado como a dinâmica da maioria das famílias envolve uma série de questões! Quando convivemos com pessoas há muito tempo, essas questões se multiplicam, e aquela velha máxima "dê dinheiro, mas não dê intimidade" parece não resolver neste caso...
Temos que conviver com nossos velhos palpiteiros conhecidos, e nosso queridos familiares sentem-se no direito, e até no dever, de "palpitar". O palpite é uma coisa que flui das pessoas. Há aqueles que vêem disfarçados com frases rodeantes no início, há aqueles outros que são mais diretos e não disfarçam a arrogância de certas pessoas em fornecer suas opiniões, há aqueles que sempre começam com sentenças do tipo: "não quero me intrometer, mas..." ou "se eu fosse você..." ou "conheço um caso que..."; enfim disfarces para dizer o que pensa, rezando para que você concorde e até mude de opinião!
Não importa o estilo, família gosta de palpitar. Quando então se trata do destino dos netinhos, então... Esses são o diamante de toda a família! É assunto para todos os almoços de domingo, quando cada um lembra dos "calsos" para demonstrar seus pontos de vistas.
É interessante como às vezes trocamos favores por palpites. Explico-me. Lembra quando nossos pais tinham que resolver algo, ou mesmo decidiram ir ao cinema e deixa seus filhos com os avós? Pronto, tai um favor pedido, e em troca um palpite de brinde. "Minha(o) filha(o), com você a coisa foi diferente. Você devia fazer isso ou aquilo..."
Enfim, o palpite é condição necessária e suficiente para se coexistir em família. O mais interessante de tudo é estar aberto para ouvir e perceber o que se está por trás dele. Não devemos brigar ou contrariar. Devemos perceber que aos avós cabem a tarefa de "deseducar", mas a nós cabe usar essa deseducação a nosso favor, ou seja, sabendo a hora certa de intervir e orientar como achamos que deve ser! O que acredito que precisamos evitar é deixar que nosso comodismo nos leve a situações onde perdemos o leme da educação de nossos filhos. Isso sim é um caminho sem volta!
É engraçado como a dinâmica da maioria das famílias envolve uma série de questões! Quando convivemos com pessoas há muito tempo, essas questões se multiplicam, e aquela velha máxima "dê dinheiro, mas não dê intimidade" parece não resolver neste caso...
Temos que conviver com nossos velhos palpiteiros conhecidos, e nosso queridos familiares sentem-se no direito, e até no dever, de "palpitar". O palpite é uma coisa que flui das pessoas. Há aqueles que vêem disfarçados com frases rodeantes no início, há aqueles outros que são mais diretos e não disfarçam a arrogância de certas pessoas em fornecer suas opiniões, há aqueles que sempre começam com sentenças do tipo: "não quero me intrometer, mas..." ou "se eu fosse você..." ou "conheço um caso que..."; enfim disfarces para dizer o que pensa, rezando para que você concorde e até mude de opinião!
Não importa o estilo, família gosta de palpitar. Quando então se trata do destino dos netinhos, então... Esses são o diamante de toda a família! É assunto para todos os almoços de domingo, quando cada um lembra dos "calsos" para demonstrar seus pontos de vistas.
É interessante como às vezes trocamos favores por palpites. Explico-me. Lembra quando nossos pais tinham que resolver algo, ou mesmo decidiram ir ao cinema e deixa seus filhos com os avós? Pronto, tai um favor pedido, e em troca um palpite de brinde. "Minha(o) filha(o), com você a coisa foi diferente. Você devia fazer isso ou aquilo..."
Enfim, o palpite é condição necessária e suficiente para se coexistir em família. O mais interessante de tudo é estar aberto para ouvir e perceber o que se está por trás dele. Não devemos brigar ou contrariar. Devemos perceber que aos avós cabem a tarefa de "deseducar", mas a nós cabe usar essa deseducação a nosso favor, ou seja, sabendo a hora certa de intervir e orientar como achamos que deve ser! O que acredito que precisamos evitar é deixar que nosso comodismo nos leve a situações onde perdemos o leme da educação de nossos filhos. Isso sim é um caminho sem volta!
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Flamengo Hexa: e o futuro?
Ontem foi o dia tão esperado para nós torcedores do Flamengo: Hexacampeão!
Sou torcedor do Flamengo desde 1979, quando comecei a gostar de futebol. Tinha 7 anos, e comecei a torcer para o Flamengo por puro acaso. Como gostava daqueles "cards" que vinham naqueles chicletes enormes da época, calhou de vir mais jogador do Flamengo em minhas gomas de mascar. Como sou muito competitivo, queria mostrar que o time que tinha nas mãos era melhor que o Vasco do meu amigo de infância!
Coincidência do destino ou não, o Flamengo só ganhava na década de 80! Era o "dream team" do Brasil e a rede Globo só falava do Flamengo! E realmente, o time era o maior... Foi tetracampeão brasileiro só naquela década!
Veio a década de 90, e veio também o fim dessa era. Fora 92, quando foi mais uma vez campeão, o Flamengo vivia no meio ou quase no fim da tabela! Até hoje não sei como nunca caiu para a segunda divisão!
Ontem, aconteceu um milagre: Flamengo com Andrade como técnico, ganhou um campeonato! E parece ter sido algo mesmo sem explicação de como aconteceu (um milagre)! Sem organização, com uma dívida de 300 milhões de reais, com um time que fora alguns poucos jogadores (e não estou falando só de Petkovic, Adriano e Maldonado), possuia um elenco bem "meia boca", o flamengo ganhou o título. Ponto para o Andrade que mostrou ser um líder e tanto! Com humildade e perseverança, soube conduzir o Flamengo nas adversidades...
Ponto. Aqui paramos para falar de uma coisa que é marcante em nós brasileiros: ganhar na adversidade! Pra mim, ganhar na adversidade é ganhar uma vez e ter que esperar mais 17 anos para ganhar de novo (quem sabe?); é ganhar na raça, sem planejamento, organização ou metas; é atirar 1000 vezes para conseguir acertar uma e mesmo assim nem olhar para a flecha quando lançar!
Enfim, infelizmente, é a herança que carregamos conosco, que nos impede muitas vezes de saber para onder vamos, para onder queremos ir. Obviamente, não creio que os Alemães são modelo para ninguém. Viver numa sociedade tão grande e hiper-planejada deve ser uma loucura, não daria certo no Brasil, e não acho que dê realmente certo por lá. Mas por que não aliar o útil ao agradável? Por que não sermos mais responsáveis naquilo que fazemos, sem nóias, nem roubalheiras (como acontece no futebol hoje em dia do Rio de Janeiro e muitos outros estados)?
Acho que enquanto acreditarmos que o sofrimento de vencer nas adversidades pode ser o único a levar-nos ao prazer da vitória, o Brasil continuará a fomentar essas personalidades que nos comandam, fazendo-nos bonecos de interesses diversos...
Sou torcedor do Flamengo desde 1979, quando comecei a gostar de futebol. Tinha 7 anos, e comecei a torcer para o Flamengo por puro acaso. Como gostava daqueles "cards" que vinham naqueles chicletes enormes da época, calhou de vir mais jogador do Flamengo em minhas gomas de mascar. Como sou muito competitivo, queria mostrar que o time que tinha nas mãos era melhor que o Vasco do meu amigo de infância!
Coincidência do destino ou não, o Flamengo só ganhava na década de 80! Era o "dream team" do Brasil e a rede Globo só falava do Flamengo! E realmente, o time era o maior... Foi tetracampeão brasileiro só naquela década!
Veio a década de 90, e veio também o fim dessa era. Fora 92, quando foi mais uma vez campeão, o Flamengo vivia no meio ou quase no fim da tabela! Até hoje não sei como nunca caiu para a segunda divisão!
Ontem, aconteceu um milagre: Flamengo com Andrade como técnico, ganhou um campeonato! E parece ter sido algo mesmo sem explicação de como aconteceu (um milagre)! Sem organização, com uma dívida de 300 milhões de reais, com um time que fora alguns poucos jogadores (e não estou falando só de Petkovic, Adriano e Maldonado), possuia um elenco bem "meia boca", o flamengo ganhou o título. Ponto para o Andrade que mostrou ser um líder e tanto! Com humildade e perseverança, soube conduzir o Flamengo nas adversidades...
Ponto. Aqui paramos para falar de uma coisa que é marcante em nós brasileiros: ganhar na adversidade! Pra mim, ganhar na adversidade é ganhar uma vez e ter que esperar mais 17 anos para ganhar de novo (quem sabe?); é ganhar na raça, sem planejamento, organização ou metas; é atirar 1000 vezes para conseguir acertar uma e mesmo assim nem olhar para a flecha quando lançar!
Enfim, infelizmente, é a herança que carregamos conosco, que nos impede muitas vezes de saber para onder vamos, para onder queremos ir. Obviamente, não creio que os Alemães são modelo para ninguém. Viver numa sociedade tão grande e hiper-planejada deve ser uma loucura, não daria certo no Brasil, e não acho que dê realmente certo por lá. Mas por que não aliar o útil ao agradável? Por que não sermos mais responsáveis naquilo que fazemos, sem nóias, nem roubalheiras (como acontece no futebol hoje em dia do Rio de Janeiro e muitos outros estados)?
Acho que enquanto acreditarmos que o sofrimento de vencer nas adversidades pode ser o único a levar-nos ao prazer da vitória, o Brasil continuará a fomentar essas personalidades que nos comandam, fazendo-nos bonecos de interesses diversos...
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Bebês vêm com manual?
Eu e minha esposa esperamos algum tempo para ter nosso primeiro filho. Pensávamos sempre no preparo psicológico necessário para criar um! Maturidade sempre foi nosso principal questionamento, mesmo sem saber até que ponto deveríamos esperar para estarmos maduros...
Enfim, decidimos e tivemos! Ele tá aqui nos enchendo de alegria. O que chamávamos maturidade, hoje acho que tem outro nome: renúncia. Ter filho é renunciar de um monte de coisas. Primeiro de nossa própria comodidade. Renúncia de nosso egoísmo, de nossa necessidade de atenção o tempo todo, de nosso tempo livre para fazer o que queremos e de mais um zilhão de coisas!
Ao longo desses 10 meses depois do nascimento de nosso pequeno, aprendi que renunciar apenas também não é suficiente. É necessário prestar atenção e pensar, pensar muito! Crianças até 1 ano não costumam falar, portanto precisamos ouvir, ouvir muito! Ouvir e aprender com os erros.
E foi assim que fomos lidando com o seu choro. Sua forma mais divina de comunicação. Dizem que bebês não vêm com manual. Mentira! Vêm, sim. Com tudo lá detalhado, estabelecido, inclusive com os famosos "troubleshootings" dos manuais técnicos. O único problema é que o manual está escrito na linguagem deles. DE CADA UM DELES! Como se tivéssemos que reunir todas as páginas ao longo do longo percurso de criação do pequeno! E claro que esses manuais são tema de pesquisas e mais pesquisas científicas. E métodos e métodos são criados para podermos traduzi-los para o nosso linguajar. Mas o pior de todos os métodos já criados chama-se Método Ferber.
Este tipo de tradução do manual do bebê visa transformar seu choro em um único significado traduzido, e chama-se "aprender a se virar sozinho". O objetivo é ensinar o bebê desde a tenra idade a se virar. Em outras palavras: "deixe-nos dormir a noite toda".
Confesso que durante essa curta jornada em que estamos sendo pais, pensamos várias vezes sobre isso: deixá-lo chorar para poder ensiná-lo a dormir. Ainda bem que nunca pensamos nisso ao mesmo tempo, e tinha sempre o outro para argumentar contra. E olhe que já passamos noites bem difíceis, como 99,99% dos pais deste planeta!
E nada foi mais recompensador que NUNCA termos deixado nosso pequeno chorar sem atendê-lo. Aprendemos quase a ler seus pensamentos. À medida que ele cresce, fica mais e mais fácil compreendê-lo.
Oh, que lástima essa realização de um método tão comportamentalista! É o culme do egoísmo de nós seres humanos, que queremos muitas vezes ter filhos para mostrar ao mundo, mas ao mesmo tempo não queremos aplicar a tão árdua renúncia de nós mesmos!
E assim, criamos psicopatas sociais. Aquelas pessoas que cortaram quaisquer enervações de seu corpo com o mundo, porque seu sistema nervoso não foi estimulado com carinho, apenas com "comportamentos"! Pessoas essas que acham que a vida é uma luta por sobrevivência onde os fins justificam os meios, e fazem quaisquer coisas para conseguir o que querem, porque o que impera é a lei do mais forte!
Pais, oh pais! Tentem ler o manual que seus filhos trazem! Não se deixem levar por um comodismo egoísta, que insistem em ensinar às crianças que devem se comportar como nós adultos. Só o amor incondicional pode salvar nossos filhos desses tão tortuosos caminhos e mais que isso, nos salvar de uma culpa tão grande que teremos que carregar quando começarmos a vê-los crescer, tornando-se pessoas sem o olhar compassivo ao próximo...
O choro é a maior forma de comunicação entre nós e nossos filhos. Se compreendemos seu choro, compreenderemos também sua linguagem quando eles começarem a falar. E será mais fácil orientá-los. Mesmo que falhemos por algum motivo na criação desses pequenos, ainda assim levaremos o coração mais leve, com uma culpa mais branda, por sabermos que fizemos tudo o que foi possível e que o resto foi escolha deles!
Enfim, decidimos e tivemos! Ele tá aqui nos enchendo de alegria. O que chamávamos maturidade, hoje acho que tem outro nome: renúncia. Ter filho é renunciar de um monte de coisas. Primeiro de nossa própria comodidade. Renúncia de nosso egoísmo, de nossa necessidade de atenção o tempo todo, de nosso tempo livre para fazer o que queremos e de mais um zilhão de coisas!
Ao longo desses 10 meses depois do nascimento de nosso pequeno, aprendi que renunciar apenas também não é suficiente. É necessário prestar atenção e pensar, pensar muito! Crianças até 1 ano não costumam falar, portanto precisamos ouvir, ouvir muito! Ouvir e aprender com os erros.
E foi assim que fomos lidando com o seu choro. Sua forma mais divina de comunicação. Dizem que bebês não vêm com manual. Mentira! Vêm, sim. Com tudo lá detalhado, estabelecido, inclusive com os famosos "troubleshootings" dos manuais técnicos. O único problema é que o manual está escrito na linguagem deles. DE CADA UM DELES! Como se tivéssemos que reunir todas as páginas ao longo do longo percurso de criação do pequeno! E claro que esses manuais são tema de pesquisas e mais pesquisas científicas. E métodos e métodos são criados para podermos traduzi-los para o nosso linguajar. Mas o pior de todos os métodos já criados chama-se Método Ferber.
Este tipo de tradução do manual do bebê visa transformar seu choro em um único significado traduzido, e chama-se "aprender a se virar sozinho". O objetivo é ensinar o bebê desde a tenra idade a se virar. Em outras palavras: "deixe-nos dormir a noite toda".
Confesso que durante essa curta jornada em que estamos sendo pais, pensamos várias vezes sobre isso: deixá-lo chorar para poder ensiná-lo a dormir. Ainda bem que nunca pensamos nisso ao mesmo tempo, e tinha sempre o outro para argumentar contra. E olhe que já passamos noites bem difíceis, como 99,99% dos pais deste planeta!
E nada foi mais recompensador que NUNCA termos deixado nosso pequeno chorar sem atendê-lo. Aprendemos quase a ler seus pensamentos. À medida que ele cresce, fica mais e mais fácil compreendê-lo.
Oh, que lástima essa realização de um método tão comportamentalista! É o culme do egoísmo de nós seres humanos, que queremos muitas vezes ter filhos para mostrar ao mundo, mas ao mesmo tempo não queremos aplicar a tão árdua renúncia de nós mesmos!
E assim, criamos psicopatas sociais. Aquelas pessoas que cortaram quaisquer enervações de seu corpo com o mundo, porque seu sistema nervoso não foi estimulado com carinho, apenas com "comportamentos"! Pessoas essas que acham que a vida é uma luta por sobrevivência onde os fins justificam os meios, e fazem quaisquer coisas para conseguir o que querem, porque o que impera é a lei do mais forte!
Pais, oh pais! Tentem ler o manual que seus filhos trazem! Não se deixem levar por um comodismo egoísta, que insistem em ensinar às crianças que devem se comportar como nós adultos. Só o amor incondicional pode salvar nossos filhos desses tão tortuosos caminhos e mais que isso, nos salvar de uma culpa tão grande que teremos que carregar quando começarmos a vê-los crescer, tornando-se pessoas sem o olhar compassivo ao próximo...
O choro é a maior forma de comunicação entre nós e nossos filhos. Se compreendemos seu choro, compreenderemos também sua linguagem quando eles começarem a falar. E será mais fácil orientá-los. Mesmo que falhemos por algum motivo na criação desses pequenos, ainda assim levaremos o coração mais leve, com uma culpa mais branda, por sabermos que fizemos tudo o que foi possível e que o resto foi escolha deles!
sábado, 31 de outubro de 2009
Ilusões perigosas
Conversando com um colega que não está passando uma boa fase, comecei a prestar atenção em seu discurso. Sim, discurso! Aquelas pessoas que não se entregam a tristeza pública, tendem a arranjar formas racionais de justificar as más fases. Acho que isso é melhor que dizer pra todo mundo que você está na fossa.
Mas voltando... o tal discurso do meu colega parecia uma forma de justificar a sua incompetência. E digo incompetência, sem ofensa alguma, uma vez que acho que se víssemos mais que somos incompetentes em várias coisas, viveríamos mais felizes! Enfim, o colega tentava arranjar 3 ou 4 explicações para demonstrar que tomou algumas decisões erradas no meio de caminho. Como conheço mais ou menos a sua história, percebi logo que estava tentando se convencer que apesar de ser muito bom em algumas áreas, foi "injustiçado" pelo "sistema".
O interessante dessa história toda é que anda, vira e mexe, usamos essas estratégias para nos sentirmos melhores! Não sei, acho que nosso sistema nervoso não suportaria tamanha dor de observar o quanto somos incompetentes. Acho que isso é típico das pessoas que se cobram muito. Naturalmente me incluo nessa categoria. E obviamente não podemos entregar os pontos a qualquer um...
O interessante dessa história toda é que parece que vivemos num espiral de ilusões, tentando nos achar melhores que outros quando obtemos sucesso, e piores quando fracassamos! Ilusões que nos levam sempre a buscar uma referência externa para o nosso mundo, onde não suportamos ser julgados, mas a todo momento precisamos julgar para nos percebermos e nos enxergarmos melhor. Ilusões que nos prendem a consciências adormecidas de nós mesmos! Enfim, ilusões perigosas pra nós próprios...
Mas voltando... o tal discurso do meu colega parecia uma forma de justificar a sua incompetência. E digo incompetência, sem ofensa alguma, uma vez que acho que se víssemos mais que somos incompetentes em várias coisas, viveríamos mais felizes! Enfim, o colega tentava arranjar 3 ou 4 explicações para demonstrar que tomou algumas decisões erradas no meio de caminho. Como conheço mais ou menos a sua história, percebi logo que estava tentando se convencer que apesar de ser muito bom em algumas áreas, foi "injustiçado" pelo "sistema".
O interessante dessa história toda é que anda, vira e mexe, usamos essas estratégias para nos sentirmos melhores! Não sei, acho que nosso sistema nervoso não suportaria tamanha dor de observar o quanto somos incompetentes. Acho que isso é típico das pessoas que se cobram muito. Naturalmente me incluo nessa categoria. E obviamente não podemos entregar os pontos a qualquer um...
O interessante dessa história toda é que parece que vivemos num espiral de ilusões, tentando nos achar melhores que outros quando obtemos sucesso, e piores quando fracassamos! Ilusões que nos levam sempre a buscar uma referência externa para o nosso mundo, onde não suportamos ser julgados, mas a todo momento precisamos julgar para nos percebermos e nos enxergarmos melhor. Ilusões que nos prendem a consciências adormecidas de nós mesmos! Enfim, ilusões perigosas pra nós próprios...
Subscrever:
Mensagens (Atom)